
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Fui à Alemanha, outra vez

terça-feira, 18 de maio de 2010
Alergia - esse calvário
Para quem não tem alergias na Primavera este texto não terá qualquer interesse, ou não, mas para quem tiver, a identificação com o que está aqui descrito já por si é reconfortante na medida em que não nos sentimos sós no nosso calvário. Sim porque é disso mesmo que estou a escrever. Um calvário.
Dou-vos um exemplo prático. Há algum tempo, quando tinha mota, sim que eu sou motard sem mota (troquei as motas pelos filhos), havia alturas em que eu tinha que pura e simplesmente parar na berma da estrada para espirrar, espirrar, espirrar, às vezes até dava para desligar a mota, tirar o capacete, desenturpecer as pernas enquanto espirrava. Cheguei a contar várias vezes 20 espirros de seguida. Ora se pensarmos bem, o esforço requerido para dar 20 espirros de seguida é enorme. A contração do diafragma, dos musculos peitorais e dos faciais. É mais duro que fazer desporto com a agravante de que não se está a ter prazer nenhum. Por vezes e também a andar de mota, mas isto acontecia em qualquer lugar fosse na mota ou não. O nariz começava a largar água. Não é ranho. É água. Enormes quantidades de água. Não há lenços que aguentem. Aquilo mais parecia uma torneira. Eventualmente quem sabe até contribua para perigosos níveis de desidratação se os líquidos não forem repostos. Outras vezes umas remelas que se atravessavam nos olhos e que se conseguem agarrar com as pontas dos dedos e parecem uma espécie de elásticos que vão de um lado ao outro do olho. É simplesmente horrivel.
Há umas árvores em Lisboa, de crescimento rápido e muito populares que na altura da Primavera largam uma espécie de algodão. Aquilo é o inferno disfarçado. E depois vem o calor, mas no princípio da Primavera ainda arrefece à noite, e então curiosamente parece que a diferença térmica propícia ao agudizar da alergia. O que recapitulando até aqui faz com que a Primavera, os pólens, o sol e as diferenças térmicas próprias da Primavera sejam o tal calvário a que me referi anteriormente. Juntem-lhe a poluição e pronto. Nem me perguntem como é que eu estou.
Ora infelismente e não obstante eu ter sido agraciado com este belo corpinho, calhou-me em sorte a particularidade de ter renite alérgica, ou sinosite, ou seja lá o que for que me deixa de rastos. Por vezes alguém tenta sugerir isto ou aquilo. Pois eu já experimentei de tudo. Todos os tipos de comprimidos contra a alergia. Uns dão sonolência e não tiram a alergia totalmente, secando isso sim a mucosa nazal. Então um tipo espirra, sem ranho e tem sono. O que é estranho se pensarem bem.
Para mal dos meus pecados este ano percebi que o meu filho também tem alergia e que já está a tomar os tais comprimidos. Terei de ser o mais compreensível com ele e estar do lado dele. Pois até hoje ainda não tomei “o” comprimido que me tirasse a alergia... por mais que eles sejam publicitados pelas farmácias.
Beijinhos e essas coisas,
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Por causa do Papa

Bom. Não estava o Papa mas estava o tio João. E foi com ele que afinal fomos ter. Almoçámos os três, conversámos, tirámos umas fotos e lá voltámos para Telheiras mas desta vez de metro que já estava a funcionar outra vez. Gosto de passear com a minha filha, seja lá porque razão for e é muito giro poder ter esses momentos com ela. Se pudesse agredecería pessoalmente ao Papa o facto de nos ter proporcionado mais este momento. Como não posso directamente vai através de Deus que espero aceda ao meu pedido de lhe agradecer por mim. Talvez ele sinta um aperto nas costas. Será o meu abraço de agradecimento.
Beijinhos e essas coisas,
terça-feira, 4 de maio de 2010
O conteúdo dos altos quadros
Curiosamente esta minha sensação de desactualização vai-se agudizando à medida que me vou tentando actualizar. Talvez daí a minha não predisposição para ver certos e determinados programas televisivos em que os conteúdos eu não compreendo. A sério. Já não compreendo e pode ser que eu esteja completamente doido ou desfazado da realidade, que é uma hipótese a ter em consideração. Há dias liguei a televisão. Não me lembro quais os canais mas fiquei com a sensação de que finalmente percebo uma coisa. Quando oiço um desses “altos quadros” dizer que o que está a dar são os conteúdos, e ao olhar para a cara dele, não lhe vislumbro no olhar uma pontinha de creatividade, de cor, de imaginação, de honestidade, de humanidade. Aquilo é uma espécie de máquina que ali está em forma de pessoa engravatada a dissertar um discurso em que metade são palavras imperceptíveis e que só um punhado de pessoas conseguem de facto compreender, ou seja, mal ele começa a falar eu fico logo com a nítida sensação de que, mais uma vez, não vou perceber nada. O que me vale têm sido os meus filhos que me dizem que também não percebem nada do que estão a ouvir, e isso é perigoso pois dá-lhes uma enorme liberdade de acção.
Em três canais diferentes fala-se de futebol. Sempre os mesmos. Homens maduros, talvez com idade para serem avós ou não. Eu já nem sei se são políticos ou se são comentadores de futebol. Mas comentam jogos que já se realizaram. Daí e por uma questão de pormenor somos capazes de ver uma imagem andar para a frente, andar para trás, andar para a frente devagar, parar, andar para trás devagar, parar, voltar a andar para a frente, e para trás e outra vez para a frente, para que eles percebam se de facto o isqueiro é ou não devolvido ao público. Se não viste, não interessa. O que talvez seja curioso é que nas touradas as pessoas atiram coisas lá para dentro e eles devolvem com amabilidade.
Estou-me sempre a lembrar daquele político português pequenito que foi para o Parlamento Europeu dizer num minuto que Portugal não é um estado de direito e que não há liberdade de expressão. Nunca me lembro do nome dele mas dou-lhe o crédito de ter tido a coragem, ou estupidez, de o fazer. Por causa dele, também, agora é inquéritos uns atrás dos outros feitos por deputados que eu não conhecía e passei a conhecer, e a “quadros” que eu também não conhecía e passei a conhecer. Olha! Assim de repente e que me lembre soube que o avô de um dos inquiridos foi enterrado com a bandeira do FCP - curioso. E que outro ganhou no ano passado três milhões e meio de euros a trabalhar numa empresa com participação do estado.
Eu cá cheira-me é que há liberdade a mais, cheira-me. Mas como é Primavera ando para aqui afectado com a alergia e quem sabe não ando com o olfato todo trocado.
Beijinhos e essas coisas,
quinta-feira, 29 de abril de 2010
A estranha sombra
E como previsto, ao que parece vem aí o Papa. Essa figura estranha que é suportada por outros homens de cada vez que se quer levantar. Esse homem curioso que tem o costume de falar por uma janelita de um edíficio no Vaticano, esse pequeno mas muitissimo curioso Estado cheio de leis à margem da lei. Enfim... parece que a vinda do Papa a Portugal teve alguma interferência com a calendarização da lei que permite ou não o João casar-se com o Jorge. Ou a Inês casar-se com a Deolinda.
A Igreja e os enormes pilares em que ela assenta continua a interferir com a minha vida sem que eu tenha total consciência disso. Claro que não é a Igreja, nem tão pouco o Papa, ou a nossa senhora de Fátima. Mas antes esta sociedade arcaica em que eu vivo apetrechada com armas de destruição massiça que não abdica de ter vários credos baseados em algo que não se pode nem poderá nunca provar-se que existam ou não - Deuses. Isto é perigoso. Estamos, e farto-me de falar nisso, a viver um momento da história da humanida suigéneres. Parece que algo está para acontecer ou então já está a acontecer e nós não damos conta disso. Lembras-te da Sinead O'connor a cantora? Foi à televisão e rasgou o poster com a imagem do Papa. Nunca mais apareceu. Foi pena, ela era simpática e tinha fortes convicções. Coisa rara nos tempos que correm. Convicções.
Voltando ao princípio, era, portanto, início de sábado e estavamos os três a tomar os respectivos banhos. E depois andávamos nús ali pela casa enquanto não nos vestimos. É giro. Começa a ser um pouco constrangedor por causa da Maria. Mas ela já me conhece e sabe que o pai frequenta a praia do Meco. É uma estranha sensação de liberdade andar com a piloca ao léu e depois ir mergulhar e sentir a água a deslizar pelo corpo todo. É giro.
Curiosamente e não parecendo à partida que nada disto que te escrevo tenha algum nexo fui ver ao Dicionário de Morais o significado de preservativo. Sei lá, ocorreu-me. Talvez porque vem cá o Papa. Talvez porque os meus filhos estão a crescer. Talvez porque me lembre do desgraçado do Silvino que não sendo desgraçado nenhum é-o pelo facto de estar com os costados na prisão enquanto que outros se pavoneiam por aí. Enfim, fui ver, e tem dois sentidos, o primeiro diz “Que preserva; próprio para preservar; diz-se dos medicamentos próprios para prevenir o aparecimento de certa doença”. O segundo sentido diz “Aquilo que preserva: A sobriedade é um preservativo das doenças”

Sem que eu nada tenha contra o homem (o Papa) não deixo de me indignar e achar até curioso certas posições defendidas por pessoas que representam ideologias ancestrais e por vezes arcaicas. Bem sei que não estarei de modo algum a agradar a gregos nem troianos quando escrevo estas linhas. Mas no sábado passado fui às compras com os meus filhos e à saída do supermercado, mesmo do outro lado da rua uma série de pessoas idosas e alguns escuteiros dirigiam-se para a Igreja. A missa ía ser celebrada dali a uns dez minutos e achei interessante levar lá os meus filhos. A igreja é daquelas modernas feitas de betão armado à mostra. Até tem uma arquitetura sóbria e de aspecto leve.
Passados cinco minutos a minha filha comentou “Ó pai vamos embora que isto aqui é deprimente.” A missa ainda não tinha começado e o meu filho observava um curioso objecto colocado logo à entrada, de tom castanho, bastante sóbrio, aparafusado ao chão e que a troco de moedas de 50 centimos acendia uma lâmpada em forma de vela para que a pessoa rezasse uma oração. A lâmpada está acesa durante um determinado período de tempo e depois apaga-se. Bestial! A mente humana é de facto imensamente criativa. Não há dúvida. À saída o meu filho comentou que aquelas moedas mais as moedas das duas caixas rotuladas com “Pobres” e “Igreja” eram mas era para o Sócrates. O meu filho tem oito anos. Oito! Onde raio é que ele vai buscar estas ideias?
Começo a não saber o que fazer nem o que dizer aos meus filhos. Quem sou eu para julgar o que eles vêm, ouvem e sentem? Como lhes explico o que é ou quem é Deus e os seus critérios de avaliação e justeza. Há algo aqui que não bate certo. É cá um sentimento meu. Mas que quando confrontado pelos meus filhos com questões básicas de justiça eu custa-me cada vez mais responder-lhes pois se por um lado for honesto pareço “ernesto”, por outro lado se não for honesto que raio de pai serei?
Se algum desejo eu tenho na vida para os meus filhos é que sejam inteligentes e felizes. Só isso. O resto é lá com eles que a minha filha já me manda mensagens para eu lhe carregar o telemovel... ótimo.
Beijinhos e essas coisas,
terça-feira, 20 de abril de 2010
O dia da mãe

Vocês nasceram.
A minha mãe cuidou de mim como se cuidam as plantas. Regando-a todos os dias. Tratando-a com amor e carinho sem hesitar cortar as folhas velhas nas alturas certas. E se alturas houve em que a planta parecia querer parar de crescer ela nunca desistiu de a regar. E essa planta cresceu e já deu frutos que são vocês. E eu aqui no meio, olho para a minha mãe e para vocês e faz-me sentido que a vida seja assim, naturalmente simples, maravilhosa e contínua.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
A menina do mar
De facto se eu pensar bem... ora deixa cá ver uma referência... sim. A Eunice Munoz, na RTP 1, a ler, sentada numa cadeira, a história - “A Menina do Mar”. E eu sentado no chão da sala a olhar para o ecrã da televisão que só já não era a preto e branco porque os meus pais tinham adquirido o último avanço tecnológico – um plástico tricolor em degradê para vermos televisão a cores. Daí a Eunice ter a cabeça azulada, o tronco alaranjado e os pés esverdeados, se a memória não me falha. Ainda no outro dia a encontrei na rua e não fui de modas. Parei o carro e diriji-me a ela para lhe agradecer o facto de ela fazer parte da minha vida de uma maneira tão... tão... humana. Acho que é isso. Ela sorriu, agradeceu-me, e eu vim-me embora. Missão cumprida.
No outro dia também (para mim os dias não são uns atrás dos outros, é estranho mas para mim os dias são salteados, assim como os cogumelos salteados, baralham-se uns com os outros e formam uma amalgama. No fim como-os à colher e de boca cheia. É bom.) mas como dizia, no outro dia estava sentado à mesa com a minha mãe e os meus filhos. Já não sei se era a jantar ou a almoçar. Mas era a comer. Por vezes comer à mesa da cozinha tem esta particularidade. Não há televisão, nem telemoveis. Simplesmente quatro pessoas a comer e a falar. É giro.
Dei por mim a pensar que entre a minha mãe que aprendeu a escrever com um aparo e um tinteiro e os meus filhos que usam o computador estou eu aqui no meio. Tive um azar do caraças, senão repara, ainda me lembro que as secretárias da escola primária tinham lá um buraquinho para o tinteiro, mas eu usava uma caneta bic. Passados uns anos tinha acabado de tirar um curso de desenhador técnico em que usava canetas rotring e borrachas e lâminas e réguas e máquinas de calcular e pim: aparecem os computadores e os programas de grafismo. Que grande galo. Por meia dúzia de anos e eu tinha poupado fortunas em canetas.
Passados mais uns anitos, o Manuel, o meu filho de oito anos vai para a escola com uma mochila que deve pesar 500 quilos cheia de livros, quando podería perfeitamente tê-los todos no Magalhães. Mas não. O desgraçado tem de levar aquilo tudo com ele e para cumulo agora acho que tem que levar uma vez por semana os livros e o Magalhães. Isto não faz sentido absolutamente nenhum. A não ser que...
Há uns anos tentei entrar para uma editora. Aquilo é uma vergonha. Para nós, pais preocupados com a educação dos nossos filhos até faz sentido. Mas diz-me lá se não sentes o mesmo que eu? Haverá necessidade de continuar a mudar os livros todos os anos? Queres a verdade? Queres mesmo? Mas depois não me venhas com coisas. Vai para a praia e dá uns mergulhos que isso passa, a sério. Pois a verdade é só esta. As editoras escolares são um lobbie violento sem o mínimo de razoabilidade, que se escondem atrás de necessidades que eles inventam para continuar a produzir livros escolares que são eles próprios desconcertantes. Como é possivel livros novos todos os anos?
Eu tento educar os meus filhos o melhor que posso e sei. Dou-lhes valores, raízes, pilares, ferramentas e preparo-os o melhor que posso e sei. Mal eles comecem a pôr-se em bicos de pés, vou para a praia dar uns mergulhos. Eles também se hão-de adaptar. Nem imaginas as coisas que eles já sabem. É impressionante. E sabes que mais? Os meus filhos têm-me ensinado a viver este momento explosivo e curioso da sociedade actual. Eles fazem-no como quem come um pastelinho de nata. Às vezes ando para aqui atazanado com tanta informação e desinformação e de repente olho para eles e vejo-os na praia à procura de peixinhos no meio das rochas alheios a tudo e lembro-me da Eunice Munoz e da história da Menina do Mar. A vida é bela...
Beijinhos e essas coisas,
