quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Eu penso, logo tenho de ter cuidado


Há tempos, ocorreu-me escrever três letrinhas no motor de busca da Google. Fiquei pasmado. A EDP apoia várias fundações, instituições, clubes, eventos, cultura, desporto… até me deu para procurar um clube do berlinde da EDP. A sério! Sabias que só o clube EDP tem 20.000 sócios? Não fazia a mínima ideia. Depois, e eu tenho esta terrível mania que me desgasta e consome, pus-me a pensar. Eu devia deixar de pensar. Não é compatível com o momento actual. O melhor de facto é não pensarmos pela própria cabeça e deixarmo-nos levar pela onda. Garanto-vos que quando se começa a pensar sente-se uma espécie de confusão mental, pois tudo o que nos foi dito e afirmado não bate certo com o que se começa a entender quando se começa de facto a pensar. Aliás, depois de se pensar, se começamos a falar somos relativamente ostracizados na medida em que existe um receio profundo de que quando se dizem coisas que se pensam sem qualquer receio, até os amigos nos avisam para ter cuidado. É curioso…


Fico muito irritado sabes? Com a injustiça. E tenho esta mania de observar as injustiças de uma maneira muito abrangente. A electricidade por exemplo. Não deveria servir os interesses de uns mas de todos. É que se não houver electricidade morres mais depressa do que se não houver água, por exemplo. Sabias? E a electricidade deveria ser gerida de modo a optimizar o desempenho de um país, em vez de ser um meio para obter lucros ilícitos a coberto de engenharias financeiras e legais que permitem que pessoas como o Mexia e os accionistas que o apoiam, obtenham lucros disparatados. Se é um bom gestor deve receber um bom salário e pronto. Algo razoável. Se um jogador de futebol ganha muito, ninguém tem nada a ver com isso. Mas a pessoa que gere a electricidade não. Independentemente de ter ou não ter uma participação do estado. Isso não interessa. Isso é só para distrair. O importante é que se a electricidade falha na Maternidade Alfredo da Costa por exemplo, é perigoso logo no imediato e, como te referi há pouco, a água falhar é menos perigoso, compreendes? Isso é maldade e injustiça pois está a coberto de outras pessoas que estão colocadas em outros organismos que detêm poder para isso. E fomos nós que nos deixámos enganar, creio. Quero acreditar que fomos e estamos a ser muito bem enganados, o que é muito triste pois ao fim e ao cabo, quem nos está a enganar, são portugueses, europeus ou seres humanos como tu e eu. Mas são pessoas más. E eu não compreendo tanta maldade em alguém como o Mexia por exemplo. É impossível que ele não saiba e compreenda que o que está a fazer é horrível. Está a enganar sistematicamente as pessoas. É feio. Mas se há mais exemplos? Oh! Tantos. Mas sem electricidade não há Facebook, topas?

Talvez já me tenhas visto vociferar contra o Carlos Cruz, por exemplo. Ainda hoje fico na dúvida se ele foi ou não molestador de crianças. É triste não termos na nossa democracia ferramentas que nos garantam que a justiça funciona. Que nos proteja de uma engenharia financeira altamente sofisticada, com ligações tão obscuras que só com muito empenho, conhecimento e determinação se conseguem detectar. Estamos a viver tempos complexos. Não porque apareceram agora. Mas sim porque os próprios órgãos de informação manipulados por essas forças do mal (chamemos-lhes assim que dá mais ideia de filme de ficção científica) estão a ser confrontadas em todo o mundo por algo para o qual não estavam preparadas – a verdade. O mundo está a mudar… e ninguém imagina para onde. É lindo!

Beijinhos,

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O super taxista


Há tempos, cheguei a Lisboa de avião. Alguns sabem mas outros não, que quando se chega a Lisboa de avião não se aterra a cinquenta quilómetros numa pista de aterragem situada num local tão inóspito que nos faz sentir parte de uma carneirada qualquer em que o livre arbítrio é uma alucinação.

Chegar a Lisboa de avião, não obstante ser o pior meio de transporte conhecido na história da humanidade, é algo que atenua o sofrimento de uma viagem que nos obriga a permanecer sentados durante horas a fio, ingerindo coisas que nem aos cães de dão. Chegar a Lisboa de avião, vindo de outro lugar qualquer do norte da europa por exemplo, significa preparar a aterragem mesmo por cima da cidade. Significa poder ver as casas, as ruas, os carros, as pessoas e eventualmente, e nem é preciso muita sorte, talvez se consiga ver a própria casa. Aterrar em Lisboa é o paraíso das aterragens das capitais europeias. Aterra-se no meio da cidade. Da capital. De uma metrópole que não sendo gigante não deixa de ser o coração de um país.

Se tivermos sorte, e também não é preciso muita, até aterramos com sol e calor e tudo. É bestial. Vai-se ouvindo falar na ideia de construir um aeroporto fora da capital, baseado em factos louváveis e pertinentes, mas por outro lado, o aeroporto de Lisboa é sem dúvida um espetacular cartão de boas vindas a quem quer que chegue de avião. É bem possível que passada meia hora depois de aterrar se consiga estar dentro do táxi a caminho de casa. E isso é impar nos dias que correm. Perder essa capacidade é perder algo que nos define. Nós os portugueses sem que nos apercebamos estamos na vanguarda do que se pretende que seja o futuro – uma interligação perfeita e harmoniosa dos meios de transporte de modo a ser o mais humano e o menos agressivo possível. Talvez, se em vez de querermos sempre crescer exponencialmente, fosse melhor gerir o que já temos e que se for bem gerido até resulta, enfim, há que ter fé.


O táxi - ora aí está outro meio de transporte extraordinário. Felizmente parece que voltaram ao preto e verde que é mesmo português, ao invés daquele bege insípido que só alguém muito doente podia ter proposto uma cor daquelas. Menos mal. Parece que a alma, ou coração, falaram mais alto e aí estão outra vez os táxis que todos conhecemos. Desta vez apanhei um taxista brasileiro e explicou-me o seguinte: para se ter a carteira de taxista é preciso largar perto de mil euros, ter frequentado um determinado curso e uma determinada formação. É necessário dar provas de uma série de competências pessoais e profissionais que fazem do profissional que conduz táxi um Senhor Doutor da estrada.

Não obstante, e sempre admirei esse grupo de profissionais por isso, conseguiram unir-se e obrigar a lei a abrir uma exceção, que de acordo com a exceção em si faz deles uns homens com poderes excepcionais. Os taxistas não precisam de usar cinto de segurança dentro da cidade. Sendo que eles devem ser imunes à morte em caso de colisão frontal por exemplo, mas só dentro da cidade, pois quando me transportou para Caxias, que já é fora do perímetro da cidade, seja lá o que isso signifique, vi-o colocar o cinto. Pensei no Super-homem de facto que perde a força por causa de umas pedrinhas verdes. Neste caso o taxista perde a capacidade de imunidade à morte a partir de um determinado limite. Uma linha imaginária que alguém definiu como sendo o perímetro da cidade. É curioso esta coisa da lei. Vá lá que nos distingue! Senão os taxistas eram obrigados como todas as pessoas normais a usar o cinto de segurança sempre que conduzem um veículo que pode matar no momento em que se liga o motor e destrava. Às vezes nem é preciso tanto, é só destravar.

Isto de facto, eu devo andar parvo.

Beijinhos,

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

1+1=2, ou talvez não


Há tempos, pensei em escrever uma carta à ministra da justiça. Algo me diz que pelo facto de ser mulher talvez esteja mais sensibilizada para a minha questão, não sei, vamos ver. O facto é que na minha vasta experiência profissional nas mais diversas áreas, tive uma da qual agradeço ao António as excelentes condições em que trabalhei com total liberdade e cheia de novas experiencias. Refiro-me à Condução Defensiva (conceito ainda muito descurado, e que como a educação sexual deveria ser assunto corrente, corriqueiro e obrigatório nas escolas de todo o país) que me deu uma certeza absoluta – as pessoas são todas potenciais criminosas quando sentadas ao volante de um veículo motorizado.

A juíza que foi apanhada em contra mão com vestígios de sangue na corrente alcoólica para os lados de Cascais e que nem uma multa levou irritou-me sobejamente. Incomoda. Sendo o caso mediático, pois soube-o através dos órgãos de comunicação social. Não há qualquer justificação para que a pessoa em questão não fosse devidamente punida como o são milhares de outras pelo país fora. E são estes exemplos que vão ocorrendo diariamente que me fazem pensar que um mais um não são necessariamente dois. O que andam a ensinar aos meus filhos na escola não serve para absolutamente nada que não seja formatá-los de modo a que fiquem embrutecidos e não reajam às injustiças que se vão verificando.


Dirijo-me portanto à sra ministra para a informar do seguinte – da próxima vez que um agente da autoridade, munido das ferramentas que o permitem atuar em conformidade, me mandar parar a viatura porque vou a falar ao telemóvel, ou porque não levo o cinto de segurança, irei acusá-lo de prepotência, de abuso da autoridade, e não pagarei qualquer coima, “usufruindo” das consequências devidas, que diga-se de passagem são sempre dúbias e de acordo com a cabeça que regista o auto. É impressionante que se comercializem viaturas que conseguem mover-se a 300 km/hora, com gps incorporado, com rádio, televisão, vidros fumados e cheia de tecnologias tais que as pessoas que as conduzem nem fazem a mínima ideia para que é que servem, quando o limite máximo é 120 km/hora. Quero ser tratado como outro português qualquer. Ou outro português da lista de portugueses que têm uma lei excepcional que lhes permite fazer coisas que não se podem fazer.

É portanto nesta altura que, no perfeito estado das minhas funções físicas e mentais, reitero a minha decisão. Acima de tudo por causa dos meus filhos, a quem tento transmitir valores humanos e coerentes. Não admitirei ser incomodado por uma justiça que de cega nada tem e que serve interesses tão dúbios e maléficos. A sra ministra não me conhece, mas eu conheço-a a si. A sra não faz a mínima ideia de quem eu sou mas eu sei muito bem quem a sra é. E dirijo-me a si diretamente pois como ser humano você pode ser excepcional, mas como ministra da justiça, ou se despacha ou não tarda muito é mais uma que está para aí a respirar oxigénio sem pagar. Estarei atento. Diga-me, como pessoa, mulher, mãe, que explicação daria aos meus filhos se eles lhe perguntassem o mesmo que a mim – “Porque é que a juíza não foi presa?” – referindo-se à juíza que ia completamente bêbada em contra mão e nada lhe aconteceu?

Olhe que estou quase para me embebedar e ir passear de carro para Cascais a ver se a mim também me vão tratar da mesma maneira que à sua colega. Aliás! Por que carga de água é que aceitou ser ministra da justiça se, espero eu, sabe que não funciona. É fé? Estou muito irritado. Desculpe lá mas tenho alguma razão, alguma devo ter. No entanto asseguro-lhe o seguinte, se sentir que algo de diferente, leia-se honesto, se está a passar decorrente da sua política, não hesitarei nunca em ficar do seu lado e apoia-la incondicionalmente. Mas olhe que prenderem e levarem para a cadeia, um cidadão e no dia a seguir libertarem-no porque se enganaram. Não sei. Mas é de uma falta de… de… de… Valha-me nossa senhora!

Beijinhos,

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Eu mexia, tu mexias, ele Mexia



Há tempos, coloquei uma vela na minha casa de banho. Talvez para a tornar mais romântica, sei lá. A minha mãe por exemplo, tem duas casas de banho. A dela é dela. A outra, que eu uso e as pessoas que frequentam a casa dela usam, tem música. Aquilo não é uma casa de banho. É um espaço de reflexão. Quando se liga a luz, havendo duas possibilidades à partida, ou a luz do teto ou a luz de um candeeiro de ferro, em forma de peixe, vivo, curiosamente de cabeça para baixo e o abajur, que deixando passar a luz filtra umas folhas secas embutidas no próprio abajur. Ora, a minha mãe que é uma mulher especial e não irei dizer absolutamente mais nada sobre ela, resolveu, sabe-se lá porquê, colocar um candeeiro que é de mesinha de cabeceira, na casa de banho. E mais, a casa de banho a que me refiro está cheia de postais, fotos, quadros, imagens disto e daquilo, ovos de mármore espalhados no chão, um pato de loiça pintado à mão dentro do bidé, objetos que nada tendo que ver com a casa de banho em si ficam perfeitamente integrados de tal maneira que suspeito que de cada vez que alguém lá vai a casa fazer-lhe uma visita ou outra coisa qualquer deve ficar surpreendida quando liga a luz para ir à casa de banho. Tanto o candeeiro como o rádio estão conectados à mesma ficha. Quando a porta se fecha, a luz do candeeiro filtrada pelas folhas do abajur mais a música clássica da Antena 2 propicia pensamentos profundos ou reflexões mais elaboradas.


Ora, estava eu sentado na sanita a refletir, e muito gosto eu de o fazer na casa de banho em casa da minha mãe. E acendo sempre a luz do candeeiro de mesa. Não sei se já lhe disse (à minha mãe) que me farto de pensar ali dentro, para além de largar o lastro, mandar um fax, arrear o calhau, cagar, defecar. É curioso, quanto mais se tenta descrever o ato, mais complicada se torna a descrição da situação, que diga-se de passagem é tão velha como a própria vida. Aliás, se houvesse uma gestão mais optimizada do que comemos muito se pouparia em reciclar o que nos sai do corpo e que para nada serve, enfim… E tudo isto é possível pelo simples facto de existir luz na casa de banho. Sendo casas de banho interiores necessitam de luz para que nos possamos orientar e situar. Até pintei recentemente o teto da minha casa de banho. Caro como o raio, uma lata de quatro litros de tinta da Robbialac, branco cintilante, custa cerca de 100 euros. Se o teto refletir melhor a luz, mais fraca pode ser a lâmpada. Faz sentido.

Enquanto reflectia, ouvi na rádio que o administrador da EDP ganhou um prémio de 3,5 milhões de euros no final do ano. Entrevistado, refere que esse prémio lhe foi atribuído pelos acionistas que estavam muito satisfeitos com os extraordinários resultados da EDP. Lucros na ordem dos muitos milhões de euros obtidos acima de tudo por investimentos feitos no estrangeiro. Cá, mudaram a imagem e para isso gastaram milhões e milhões de euros. Para mostrarem trabalho, talvez. Nem compreendo estas opções administrativas. De onde é que lhe vêm estas ideias? Talvez não seja ele mas decerto dará o aval. Resta saber porquê. 

Ultimamente de cada vez que vou cagar penso no Mexia. E logo de seguida, ou a ordem vai variando - talvez conforme me custe mais ou menos, cagar - também penso no Carlos Cruz, no Vale e Azevedo, no Valentim Loureiro, na Fátima Felgueiras, no Ferro Rodrigues, e há mais, até no Mário Soares ou no Cavaco Silva, coitados. Bem vistas as coisas arrear o calhau ou refletir voltou a ficar mais caro. O que me incomoda, indigna e dá voltas à barriga é saber que o Mexia e os acionistas de que ele fala, sorriem de cada vez que acendo a luz para… seja lá o que for.

Beijinhos e essas coisas,

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Ser ou não ser terrorista


Há tempos um homem bem aparentado, loiro, de olhos azuis, alto, de boas famílias, com uma educação de excelência, com bases familiares acima da média, com instrução acima da média, inteligente, capaz de formar as próprias ideias e agir de acordo com elas, com convicções tais que tomara muitos as terem, enfim… um tipo normal. Daqueles que por um acaso da vida terá nascido na Noruega. Atente-se que nascer na Noruega tem à partida a vantagem de estar à frente do pelotão dos mais evoluídos do mundo. Ser norueguês significa ser bom, significa ser-se vizinho de um dos maiores fabricantes de armas e telemóveis e carros – a Suécia.

Ora este homem, de quem ninguém desconfiaria que pudesse fazer mal a uma mosca, foi elaborando atempadamente e ao longo dos anos um projecto de verdadeira alteração do status quo. Ele imaginou que se algo acontecesse de extraordinário à sociedade dita ocidental, iria despertar nos cidadãos europeus uma realidade que, na perspectiva dele, não quer ser observada. Deve ter sido uma ideia sedimentada pelo facto de ele ter pertencido a partidos mais radicais e ideologias ainda mais radicais. Este homem, com ou sem amigos à mistura, elaborou durante vários anos os maiores danos possíveis, no menos espaço de tempo possível e com a maior projecção mediática possível. Acho que o conseguiu depois de ter feito explodir um carro armadilhado no centro de Oslo e depois, não fosse passar despercebido, dirigiu-se calmamente para uma ilha onde estavam imensos jovens ou menos jovens e desatou a matá-los à queima-roupa, ou que não fosse, matou-os à distância de um tiro de pistola, ou revolver, ou arma de fogo.

Pelos vistos e mesmo que não queiramos assumir, ele é produto da sociedade em que vive. Ele e nós. E se defendemos tanto a liberdade de expressão, ele fê-lo sem igual. Se foi preciso coragem para enfiar com um avião ou dois por dois edifícios dentro, fazendo-os explodir e resultando na morte de milhares. Andar pelo parque fazendo tiro ao alvo a pessoas na expectativa de matar o maior número possível é de se lhe tirar o chapéu. É preciso ter coragem, convicção, determinação, uma vontade férrea e até uma fé inabalável nas convicções que nos leva a ter tal atitude. Não queremos acreditar que seja possível… mas é.


Talvez me engane mas nunca saberemos a verdade por causa dos órgãos de informação, que com a fobia de dar a informação o mais rapidamente possível, escrevem e dizem disparates um atrás dos outros. A solução é ler o mais possível, ouvir o mais possível e com sorte fazer a análise o mais correcta possível na esperança de tentar entender o porquê de semelhante atitude. Se é desprezível ou não é irrelevante. O que é de reter é que o ser humano continua a ser uma caixa de surpresas. Continua a ser ele mesmo, com defeitos e virtudes. E que no conjunto fazem dele, o ser humano, descendente de um vírus ao invés de uma célula… faz sentido, se pensarmos bem. E pelos visto parece que a comunidade científica chegou a essa conclusão – somos descendentes de um vírus. Extraordinário. Muda tudo, sem sombra  de dúvida.

Agora. O tipo lá imaginava que a outra se ia matar no mesmo dia atolada em drogas e álcool? Estúpida. Tinha uma vida óptima pela frente. Mas nós gostamos, que se há-de fazer. Somos um vírus. Deve ser isso. Quer queiramos quer não, gostávamos de ver a moça a cantarolar completamente bêbada e cheia de coca no palco. Eu vi e foi degradante, credo! Mas desse fatídico dia, e através das notícias, o que me mais me chocou foi o facto dos noruegueses terem ficado espantados pelo facto de ter sido um norueguês. Reparem que nunca lhe chamaram terrorista. E ainda hoje estou para apanhar um desses felizardos da Noruega para lhe perguntar, “Olha lá! Então e se fosse afegão, paquistanês ou até mesmo português, quem sabe, nós não somos bons em atentados mas nunca se sabe (eu por exemplo vou vendo as noticias e só me ocorre começar a partir tudo), será que já era terrorista? Ou um norueguês inteligente, bem formado e culto não pode ser um terrorista? Querem ver?

Claro que descendemos de um vírus. Faz todo o sentido. Deixa ver se ele conseguiu mudar a mentalidade dos noruegueses e dos europeus. Já estivemos mais longe… muito mais.

Beijinhos e essas coisas,

terça-feira, 12 de julho de 2011

Propriedades do lixo


Há tempos um familiar meu, mais velho, mais experiente. Uma pessoa com um grau de cultura acima da média, bastante instruído e atento ao que se passa no mundo. Leitor assíduo do jornal Expresso (seja lá o que isso signifique), E de outra literatura menos informativa mas mais técnica, mais específica, enfim, se bem me lembro esse meu familiar não é parvo nenhum, se me faço entender. Aliás, foi professor na Universidade Moderna, estão a ver? Não é de facto uma pessoa vulgar, não deixando de o ser, pois se no mundo há seis biliões de almas, ele não há-de ser excepcional. Mas em relação ao enormíssimo grau de iliteracia que existe no nosso país ele de facto até parece excepcional, não o sendo. Ele lê. Vê as notícias. Lê mais. Talvez por ser curioso e não se ficar pelo que os outros dizem, acaba por ler o que os outros escrevem.

Falar com esse meu familiar foi excelente para mim e para o que eu penso sobre a vida de uma maneira geral. Ele com a sua maneira de ser, com a sua formação familiar e académica, tinha e tem as suas opiniões que, se por um lado fazem toda a lógica, por outro havia cá dentro de mim, do tal cérebro que o meu coração tem (provado cientificamente), algo que me deixava na duvida pois eu escutava-o com enorme atenção mas nunca senti verdadeiramente que ele tivesse razão. Não sei como explicar pois nunca me ensinaram, mas o facto é que sempre achei que ele estava errado ou, na melhor das hipóteses, a teoria dele não podia ser posta em prática sem que algo de anormal daí resultasse.

Dizia esse meu familiar nos anos oitenta que Portugal ia ser um país de serviços. E de facto ele tinha razão. Portugal com o nascimento do euro e consequente adesão à moeda única tornou-se num país de prestação de serviços. E de enormíssima qualidade. Exemplos? A Via Verde. A Via Verde é um caso de estudo do que de melhor nós, portugueses, somos capazes de fazer. É cómodo e dá milhões, sem que ninguém se aperceba verdadeiramente do roubo que isso significa. E mais não escrevo sobre o assunto porque simplesmente me indigna que tal esteja a ser perpetrado às pessoas e ninguém se insurja. É porque foi magistralmente bem concebido. Tal como a electricidade, a TV por cabo, a água, os transportes públicos e por aí fora. São serviços de primeira necessidade que, através de um criterioso estudo e adaptação às circunstâncias, conseguiram ser geridos de acordo e de tal modo que à primeira vista tem lógica. É curioso, pois para mim tem a lógica de uma sociedade terrível que divide para reinar. E consegue e tem conseguido.

Entretanto afastei-me desse meu familiar. Não interessa. Mas não deixei de transportar na minha mente a questão de que Portugal iria ser um país de serviços. Fazia-me reflectir e não conseguia perceber bem o porquê das minhas dúvidas. Afinal de contas tudo o que ele então me dizia fazia sentido, tinha uma determinada lógica, estava baseado em inúmeros estudos científicos e técnicos de tal modo elaborados que muitas das vezes eu nem conseguia entender. E repare-se, não está aqui a minha mãe para vos afirmar, mas afirmo eu, não me considero estúpido.


A semana passado um grupo de norte americanos que podiam perfeitamente ser amigos desse meu familiar, consideraram ou opinaram, conforme queiram, que Portugal é lixo. Isto claro está, referindo-se à nossa conjuntura económica e financeira. E de repente faz-me todo o sentido o que tenho pensado sobre o que esse familiar então defendia. Ou seja, quem imagina que o futuro são serviços agora que os coma. Quem imagina que o futuro são as telecomunicações agora que as comam. E quem imagine que os EUA, através da Moddy’s vão acabar com o euro, desengane-se. Meteram-se com os portugueses e nós, os portugueses, temos esta “mania” de esperar… Deve ser do contacto que tivemos no passado com os povos do Oriente, ainda os americanos estavam para ser inventados!

Enfim, parece que esta semana vêm cá a Portugal uns tipos da Moddy’s conversar com os nossos banqueiros! A ver se não me esqueço de lhes levar o lixo que tenho no balde em minha casa. Provavelmente não conseguirei entregar-lhes, era giro. Mas se não conseguir, irei depositá-lo no banco dos nossos banqueiros… Até podia ser o meu familiar e as ideias que ele defende. Porra p’ra isto.

Beijinhos e essas coisas,

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O partido dos animais


Há tempos pensei - “Lá estou eu com este meu feitio”. De facto algumas pessoas que me conhecem mais de perto talvez me achem sarcástico, ou arrogante. Que tenho a mania que sei tudo. E de facto, às vezes até podem ter razão. E se por vezes eu próprio começo a pensar que talvez tenham razão, são os meus filhos que me fazem ver quanto errado essas pessoas estão. Na realidade eu não sei nada. Ando para aqui a vida toda a constatar que umas vezes acerto nas minhas teorias conspirativas e outras não. Como vou tendo a mania de tentar acertar o maior número de vezes, quando sinto que posso não acertar calo-me. Assim nunca erro. E ser sarcástico e essas coisas? São máscaras para me tentar defender. Só isso.

Mais uma vez exerci o meu direito de votar. Votei com consciência num partido que ao fazer as minhas contas de cabeça achei que seria o voto mais útil possível. Acertei em cheio. Estou satisfeito. Mais uma vez, e nós (portugueses) somos peritos nessa matéria, passámos a linha ténue que divide a esquerda da direita e voltámos a optar pela direita, contra a esquerda. E andamos nisto desde 74 do século passado. Talvez seja por sermos uma democracia jovem (que estupidez). Tem havido um objectivo muito claro em querermos ter as coisas como elas estão. Há que assumir isso sem receio e não continuarmos todos a dizer que a culpa é dos outros. Estamos todos no mesmo barco e passados trinta anos de experiências à esquerda e à direita já não há novidades. A mim o que me continua a surpreender… ou já não, é olhar para o boletim dos votos e estar lá escarrapachado um “partido amigo dos animais” por exemplo, pois não me lembro bem dos outros. E isso é sinónimo de que a democracia está a ser manipulada e usada para servir interesses que não precisariam de um partido para levarem avante os seus objectivos e causas nobres.


Por outro lado temos esta “nova” profissão que as televisões vão promovendo e que é o comentador. Não sei se vos parece o mesmo, talvez seja da minha maneira de ser, mas ser comentador de política ou de futebol é tão parecido que por vezes já nem sei o que é que estão a comentar. Enfim, num país tão pequenino como o nosso, com uma história milenar como a nossa, é curioso apercebermo-nos da nossa fragilidade enquanto jovem democracia, seja lá o que isso signifique. Também não deixa de ser curioso ver políticos de carreira, com provas dadas nestes últimos trinta anos, afirmarem que a classe política tem que mudar. Então? Mas esperem lá. Ou sou eu que estou a ver mal a coisa ou foram “eles” que nos fizeram chegar a este estado. E agora vêm com este discurso de “mea culpa” em cima dos outros? Então? Mas então? Não me interpretem mal mas pessoalmente não dou crédito nenhum aos políticos comentadores que diariamente aparecem na TV. São os próprios a fulminarem os pés. E o povo? Enfim… “A luta é alegria” é uma piada, só pode. A seguir foi o Futre. Não indo ao Festival da Canção, parece que vai fazer novelas.

A minha tentativa de fazer uma leitura consciente e responsável do que vou vendo, lendo e ouvindo, prende-se exclusivamente com o facto de ter dois filhos menores, pois se não fosse por eles, talvez já tivesse ido para outro lugar… ou não, que eu adoro “trincar-lhes os calcanhares”. Um dia até irei escrever coisas que eu sei, pormenores sem importância. Mas não é agora. É quando os meus filhos forem mais crescidos. E é assim que “eles” vão continuando a fazer o que bem entendem. Através do receio que sinto pelos meus filhos e pelas eventuais retaliações que possam sofrer por causa do pai ser como é. “Estás parvo” dirão uns, “Estou, estou. Mas por via das duvidas...” direi eu.

Isto é um país democrático porque tem eleições livres? Podemos enganar Jesus que ele não se importa, mas agora o Pai d’Ele é que já é diferente.

Beijinhos e essas coisas,